qua, 07 de novembro

A época de feedback chegou. Vamos fazer diferente?

O ano está quase no fim. É neste período que a maioria das empresas começa a fazer seus balanços de resultados e pensar metas para o próximo ano. Com isso, chega também o momento dos programas de avaliação, que envolvem feedback. Muita gente tem calafrios só de ouvir o termo. E não é para menos: feedback é um processo que precisa ser pensado e cuidado com o intuito de ser construtivo e beneficiar todos os lados, e isso por si só já é um desafio e tanto para muitos profissionais, sejam líderes ou não.

Um levantamento do Instituto GPTW (Great Place to Work) já demonstrou que quanto mais conversas um colaborador tem sobre o próprio desempenho, maior é sua confiança em relação à empresa, e ao próprio trabalho. Em uma escala numérica, o instituto mostra que o grau de confiança de quem recebe apenas um feedback por ano é de 78. O número sobe para 86 para aqueles que receberam três. Acima de quatro feedbacks, a escala sobe para 90. E estamos falando de uma análise em um cenário restrito às consideradas pelo instituto como as melhores para se trabalhar, no Brasil.

A verdade é que não é necessário nenhuma pesquisa para provar que quanto mais alguém diz claramente o que precisa de nós, e nos orienta quanto aos passos certos e errados, mais confiantes nos sentimos para seguir no rumo certo. Por que, então, empresas continuam perdendo tantos talentos pela falta de feedback?

Um bom começo para tentar responder esta pergunta está na constatação de que as pessoas aplicam o processo de forma errada. Um estudo recente realizado por uma agência de educação corporativa revela que, de 320 gestores avaliados, mais de 50% não sabe dar feedback corretamente à sua equipe. E o fato de muitas corporações deixarem isso para o final do ano é um forte indicativo de que algo está errado. Afinal de contas, se há uma conduta a ser corrigida, para que esperar o final do ano? E, se há comportamentos ou ações trazendo resultados positivos, por que não reforçar a importância deles? Ao final do ano, quanto a empresa terá perdido com o impacto do não dito?

Além disso, o mesmo levantamento citado acima mostra que 61% dos líderes aplicam o feedback somente quando há um comportamento ou desempenho a ser corrigido, o que deixa a impressão de que a conversa é sempre para tratar de algo negativo. Ou seja, pode criar um clima de “caça às bruxas”, inibindo funcionários e comprometendo consideravelmente suas chances de sucesso.

Como, então, fazer para que todos os esforços para um feedback não sejam em vão? Confira algumas dicas:

Aumente a frequência dos feedbacks

Claro que não existe uma fórmula mágica. De nada adianta estabelecer uma periodicidade inflexível, se a necessidade de fazer ajustes ou elogios através de um feedback pode variar. Mas não deixe para fazê-lo apenas como um balanço de fechamento anual. Os feedbacks mais frequentes, e até aqueles pontuais, ajudam a corrigir a rota mais rápido ou enfatizar um reconhecimento positivo.

Baseie o feedback em comportamentos ou ações

Isso é fundamental para evitar juízos de valor. Dizer que alguém é inseguro, ou grosseiro, pode ser apenas uma interpretação pessoal de determinada situação. Em vez disso, vá direto ao ponto e descreva a situação factual em si. Nem é preciso dizer o quanto o respeito é imprescindível neste processo. O feedback é uma excelente ferramenta para o crescimento, mas também nos revela a forma como somos vistos pelos outros, e isso nem sempre é agradável.

Deixe claro o impacto provocado pelo fato em questão

Evidencie o que o comportamento ou ação trouxe de consequências para os envolvidos, seja à equipe como um todo ou individualmente.

Líderes também devem passar pelo processo

Fórmulas à parte, também vale atentar sobre a importância das empresas ensinarem líderes a receberem feedback. Afinal, quando eles passam por esse processo e aprendem a ouvir e refletir sobre seus erros e acertos, e decidem se e como mudar em busca do autodesenvolvimento, fica mais fácil sentar na cadeira de seus subordinados para ajudá-los a extrair o melhor de si de um jeito respeitoso e franco.