sex, 03 de fevereiro

Inglês: sabe falar?

O GLOBO – É num processo seletivo ou numa reunião de negócios da empresa que o domínio do inglês é posto à prova. O conhecimento do idioma é levado a um nível mais alto do que simplesmente estar apto a compreender uma letra de música ou assistir a um filme até o fim.

Um longo caminho

É preciso se comunicar por completo, com vocabulário rico e específico da área de atuação, pronúncia correta, sem deslizes gramaticais, e postura segura. Alcançar a proficiência que o mercado de trabalho considera básico — visão que mudou ao longo dos anos, quando a segunda língua era tida como diferencial — exige disciplina, dedicação e o reconhecimento de que é preciso ir além do certificado.

Em pesquisa de 2013, o British Council identificou que apenas 5% dos brasileiros falam inglês e menos de 1% apresenta algum grau de fluência. Aos mesmo tempo, os cursos são extensos, com pelo menos seis anos de duração. No Brasil, 5,1% da população de 16 anos ou mais afirma ter conhecimento do idioma. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse percentual chega a 10,3%. Para os profissionais da área, os principais fatores que contribuem para esse resultado são o estudo fragmentado com longas pausas e a falta de prática pós-conclusão. A diretora de inglês do British Council, Nina Coutinho, acredita que isso aconteça porque faltam critérios definidos para o aprendizado na base escolar e planejamento com foco no nível que se almeja atingir.

— Cerca de 85% da população dependem da escola pública. E não há, nessas instituições, objetivos definidos pelas autoridades. Ao fim do ensino básico, o aluno deveria saber determinados assuntos, mas não há cobrança. Por outro lado, quem tem recurso financeiro recorre ao curso de inglês — diz Nina.

Os reflexos aparecem imediatamente no mercado de trabalho. Atualmente, independentemente da área de atuação, o profissional recorre ao idioma de forma direta — por exemplo, fazendo contato com equipes de fora do país — e indireta — por meio de pesquisas e congressos internacionais. Num momento em que o inglês se tornou pré-requisito para a carreira, investir nos estudos ajuda não só a abrir portas, mas a não fechá-las. A diretora de certificação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil), Andrea Huggard-Caine, diz que é preciso se aperfeiçoar sempre.

— Há o ler e o interpretar, e há o comunicar-se. A maioria das informações está em inglês para quem quer se atualizar. É o idioma em que as coisas acontecem primeiro. Quem não consegue entender já está para trás — diz Andrea.

Na consultoria Unique Group, especializada em RH e recrutamento, o sócio-diretor da Divisão de Middle, Eduardo Abreu, conta que, ao participar de processos seletivos, vê candidatos com competência técnica perderem a vaga por não terem alto nível de inglês, uma exigência básica. Ele indica que o aprendizado deve ser levado em conta antes que ocorra situação semelhante. Outro ponto importante é não mentir sobre o conhecimento da língua no currículo, indicando o grau correto.

— O profissional só se coloca no desafio quando perde a oportunidade. Fica frustrado ao ver que tem que se aprimorar. Não tem ideia de se antecipar a uma possível demanda — aponta Abreu, lembrando dos candidatos desonestos nas etapas preliminares do processo seletivo.

— É preciso saber que se perderá a oportunidade no primeiro contato. Quem diz, no currículo, que tem nível avançado sem ter está se queimando pela falta de transparência.

Nos cursos na Barra, um movimento perceptível é o de alunos que, alcançada a fluência, retomam os estudos para se preparar para exames, mudança de cargo ou recolocação no mercado. Essa nova etapa do aprendizado tem como foco ampliar vocabulário específico e trabalhar segmentos que não são usados com frequência, como escrita e oralidade.

— O que se sabe, hoje, é que não pode ficar parado. Não se espera que as pessoas tenham conhecimento de tudo. Mas é preciso se atualizar sempre. O mundo é formado por redes de conexões e informação, e o idioma dele é o inglês — salienta a diretora de certificação da ABRH-Brasil.

Por Carolina Callegari e Rômulo Pereira, O GLOBO – 03/02/2017

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